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      FOI POR MINHA CAUSA!

       

      Por que foi por minha causa? Qual a causa, qual o motivo que levou Jesus a fazer tudo que ele fez e passar por tudo que ele passou?

      Gostaria de lhe convidar a, por alguns instantes, se juntar a mim e ao profeta Isaías ao pé da cruz. Quero compartilhar com você alguns pensamentos que tive.

       

      SEU ASPECTO ERA HORRÍVEL

      “Como pasmaram muitos à vista dele (pois seu aspecto estava mui desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua aparência, mais do que a dos outros filhos dos homens)” (52.14).

      “Estava tão desfigurado que nem parecia um ser humano”. Diz a versão na linguagem de hoje.

      Naquela ocasião, entretanto, o título que lhe deram foi “Rei dos Judeus”, e ele, de fato, o era. Mas, um rei possui uma aparência excelente, usa trajes finos, tem pele e cabelos tratados, e toma banhos aromáticos. Aquele rei, contudo, encontrava-se despido e pendurado numa dolorosa cruz.

      Se a aparência revela o quanto se está sofrendo, o estado em que a pessoa se encontra; o do rei crucificado era o pior possível. O seu aspecto expressava a intensidade do seu sofrimento.

       

      ESTAVA SOB DESPREZO

      “Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens” (53.3).

      Não bastasse a dor física, ainda havia a dor da solidão. Todos o  abandonaram. A multidão que dias antes estendeu suas vestes para ele passar, clamando: “Hosana!”; seus discípulos que passaram mais que mil dias consecutivos ao lado dele; e também, o que foi ainda mais difícil, seu próprio pai o abandonou.

      Não poderia ser pior! O famoso poema “Pegadas na Areia”, se recitado por ele naquela ocasião, não conteria a última estrofe, onde Deus responde ao poeta intrigado com um único par de pegadas na areia, nos momentos mais críticos de sua vida, dizendo que eram suas aquelas pegadas e que ele estava carregando o poeta nos braços. No evento da crucificação só havia um par de pegadas na areia, e era o do próprio Jesus. Ele era naquele episódio “o mais rejeitado entre os homens”.

       

      SUA DOR E PADECIMENTO EXTREMOS

      “… homem de dores e que sabe o que é padecer” (53.3).

      Nas palavras do profeta ele foi: afligido, ferido e oprimido (v.4); traspassado, moído e castigado (v.5); oprimido e humilhado (v.7). Tamanha foi a crueldade.

      Não foi uma encenação, foi real. Doeu por dentro e por fora, e doeu muito.

      Se fosse serrado pelo meio como, segundo a tradição, foi o profeta Isaías; ou tivesse o pescoço cortado como o apóstolo Tiago; ou ainda tivesse sido apedrejado como Estêvão, teria sido menos vergonhoso e doloroso do que a cruz.

      A cruz foi escolhida por ser o lugar da maldição. Não foi uma triste coincidência, ele precisava receber sobre si a maldição da cruz, para satisfazer a ira de Deus contra o pecado.

      Isto me faz lembrar as palavras de Deus registradas em Gênesis capítulo 3, quando ele disse, na ocasião da entrada do pecado no mundo: à serpente – “… maldita és entre todos os animais domésticos” (v. 14); e ao homem – “… maldita é a terra por tua causa” (v. 17). Ele poderia também ter dito antecipadamente: “Maldito será meu filho por tua causa e para tua salvação”.

       

      A RAZÃO DE TUDO

      Mas, mais ênfase do que ao sofrimento de Jesus na cruz, o profeta dá na razão que o levou a cruz.

      “… ele tomou sobre si as nossas enfermidades” (v. 4).

      Era o nosso sofrimento que ele estava carregando.

      “… e as nossas dores levou sobre si” (v. 4).

      Era a nossa dor que ele estava suportando.

      “… foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades” (v. 5) .

      O profeta faz nada menos que doze citações no capítulo 53 acerca do motivo da cruz e do sofrimento de Jesus. Creio que a razão disto é que Deus quer ter certeza que deixou claro para mim que Jesus foi à cruz por minha causa. Ele não quer, nunca, que eu tenha a cruz como algo que nada tem haver comigo, impessoal, distante no passado; mas, sim, viva e ardendo em meu coração. Não é esta a razão da ceia do Senhor realizada a cada primeiro dia da semana?

      Agora posso entender melhor o por quê dele ter estado tão desfigurado na cruz; foram os meus pecados que o desfiguraram. Ele era formoso até o dia em que tirou de mim os meus pecados e os colocou sobre si mesmo.

      Visitando um dos parques públicos da cidade, encontrei, certa feita, um monumento que tentava reproduzir o episódio da crucificação, chamado “O Cristo Crucificado”. Este monumento me causou revolta quando o vi pela primeira vez, porque o material usado para sua confecção foi lixo – pneu velho, latas de alumínio amassadas, garrafas plásticas, fios, etc. “Porque não o fizeram de ouro ou de marfim, para dignificar este tão precioso acontecimento?”, pensei. Hoje, percebo que, talvez sem saber, o autor deste monumento captou um aspecto da cruz – sua razão. Naquela ocasião era lixo que estava sobre Jesus, eram os meus pecados.

       

      FOI POR MINHA PAZ E CURA

      “… o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (53.5).

      Os pecados eram meus e não dele, mas ele sofreu o castigo e eu recebi a paz. Ele foi ferido e eu fui curado.

      Estamos habituados a trocas. E as trocas devem nos oferecer vantagens. Trocamos sacrifícios por recompensas. Mas, Jesus trocou paz por castigo e cura por feridas. Jesus recebeu o meu castigo e eu a sua paz. Ele recebeu as minhas chagas e eu a sua cura. Meus pecados deram a Jesus a morte e sua morte me deu a vida eterna.

      “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” 2 Coríntios 5.21

       

      POR CAUSA DELE

      Quero viver e servir a Jesus, com gratidão e humildade, entendendo que diante do que ele fez por mim, nada do que eu fizer por ele será grande.

      O engano ocorre cada vez que me comparo a outros discípulos. Assim, perco minha referência e tolamente começo a me orgulhar. Preciso sempre voltar meus olhos espirituais para a cruz e reconhecer que nenhum ato pode ser comparado àquele.

      E se julgo que aquilo que ele pede de mim é difícil e custoso, novamente me volto para a cruz e entendo que aquilo que foi mais difícil e custoso , já foi feito!

      O que faço por ele diante do que ele fez por mim é “nada”. Desejo, pelo menos, oferecer a ele esse “nada”. Não para pagar o que ele fez por mim, o que é impossível, mas para valorizar seu ato abnegado. Pois, eram as minhas chagas, era o meu o castigo.

      “Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem, não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.” 2 Coríntios 5.14, 15

       

      – Por Nilton Barretto

      (Os textos bíblicos são da ARA, a menos que indicado)

       

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