
14 Então Pedro levantou-se com os Onze e, em alta voz, dirigiu-se à multidão: “Homens da Judéia e todos os que vivem em Jerusalém, deixem-me explicar-lhes isto! Ouçam com atenção:
15 estes homens não estão bêbados, como vocês supõem. Ainda são nove horas da manhã!
16 Pelo contrário, isto é o que foi predito pelo profeta Joel:
17 ‘Nos últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os jovens terão visões, os velhos terão sonhos.
Atos 2:14-17
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A RESSURREIÇÃO DE JESUS (3):
O TESTEMUNHO DOS APÓSTOLOS
Introdução
Nesta lição, vamos estudar o testemunho dos apóstolos como uma prova da ressurreição de Jesus. Em Lucas capítulo 24, depois do relato da morte, sepultamento e ressurreição, Jesus se dirige aos apóstolos no momento de Sua ascensão. Lucas escreve em Lucas 24:44-48:
“A seguir, Jesus lhes disse: ‘São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos.’ Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; e lhes disse: ‘Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém. Vós sois testemunhas destas coisas. Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder.’”
Embora eles não entenderam isso na hora, eles foram testemunhas do que havia sido profetizado no Velho Testamento do que aconteceria ao Messias. Ele morreria, estaria no túmulo, e no terceiro dia ressuscitaria.
Jesus morreu na cruz como fora predito, e no terceiro dia, ressuscitou. Os apóstolos, como testemunhas desses eventos, viram o cumprimento da profecia do Velho Testamento. Agora, no dia de Pentecostes, estes homens começam a testificar que Jesus Cristo é, de fato, o Cristo da profecia.
Eles pregaram aos judeus que Jesus é o Messias e provaram isto satisfatoriamente com o próprio testemunho deles. No final de sua pregação, 3.000 pessoas foram batizadas para o perdão de seus pecados, para a sua salvação, entraram na igreja e no reino de Deus.
A igreja e o cristianismo começaram, na base do testemunho dos apóstolos.
O que nós queremos fazer nesta lição é vermos que o testemunho apostólico é uma das grandes provas em favor da ressurreição de Jesus.
Estes homens levaram seu testemunho adiante desde o Pentecostes, indo pelo mundo inteiro com a mensagem da ressurreição onde fosse crida quer por judeus, quer por gentios.
Qual a força em favor da ressurreição que vem do testemunho dos apóstolos?
O Conceito Denominacional de Testemunho
Antes que nós apresentemos as evidências da ressurreição por meio do testemunho dos apóstolos, nós queremos ver que há uma grande distinção entre o testemunho apostólico, o tipo de testemunho que lemos na Bíblia, e o testemunho ao qual as pessoas afirmam dar hoje em dia.
Há pessoas hoje que vão dizer a você que elas vão dar um “testemunho de Jesus”. O que elas provavelmente querem dizer, com toda boa intenção é que Jesus fez algo por elas recentemente. Elas não querem dizer que vão dar testemunho do que Jesus fez há 2.000 anos atrás como você pode ler na Bíblia. O que elas estão dizendo é: “Eu estava doente, orei a Jesus e Ele me curou. Sou uma prova viva de que Jesus é o Senhor.” Bem, agora como sabemos que Jesus nos curou? Alguém diz: “O que há de errado nisso? Se você pedir a Jesus para lhe curar e você fosse curado, você não acreditaria?” Sim, mas eu acredito porque o Novo Testamento afirma que é assim, não porque tive uma experiência.
Quando trabalhamos sob a lógica do testemunho que pessoas alegam dar hoje em dia, pondere sobre esta cena: lá vem uma doce garota católica, e ela diz: “Ah, eu estava doente, fui diagnosticada como tendo câncer e tinha seis semanas de vida. Orei a Maria, e ela me curou. Sou uma prova viva de que Maria pode lhe curar também.”
Agora, – você acredita que Maria pode curar as pessoas?
A Bíblia não ensina isso absolutamente.
Quando ela conclui, lá vem um garotinho muçulmano, e ele diz: “Ouça, eu era amarrado em haxixe. Eu era amarrado nesta coisa terrível. Eu não conseguia escapar disso. Assim, fui aos sacerdotes hindus, eles oraram para o deus macaco ou a Shiva, ou para os outros 30 milhões de deuses hindus. Fui curado e liberto. Sou uma prova viva de que o hinduísmo é a religião verdadeira.”
– Você acredita nisso?
Então lá vem um muçulmano que diz: “Eu estava doente e não podia ser curado, assim fui para um dos sacerdotes muçulmanos e ele me levou a um canto e me mostrou o Alcorão. Orou a Alá, ele me curou e agora sou uma prova viva de que o Islã é a religião verdadeira para o homem nos dias de hoje.” Agora, se isto funciona para o cristianismo, por que não funcionaria para o paganismo? Nós veremos que a ideia moderna de testemunhar não corresponde à ideia bíblica de testemunhar.
A Ideia Bíblica de Testemunho
O nosso objetivo agora é notar que este testemunho é confinado a um grupo seleto de homens, a saber, os apóstolos. Em João 15:26-27, Jesus está preparando os apóstolos para a grande obra que o Espírito iria levá-los a fazer. Ele disse: “Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim; e vós também testemunhareis, porque estais comigo desde o princípio.”
Notam-se duas coisas aqui.
Primeiro: quando o Espírito viesse, os apóstolos iriam dar testemunho porque estavam com Jesus “desde o início.” O que “início” Jesus estava se referindo? Nós veremos em breve.
Em segundo lugar: Em João 17, Jesus estava orando pelos apóstolos. No versículo 20, Ele começa a orar por todos os crentes. Ele diz: “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua [dos apóstolos] palavra; …” Ele deixa claro que o testemunho dos apóstolos é a base de nossa fé. Por quê? Eles eram testemunhas oculares e tinham estado com Jesus desde o início, o acompanhando ao longo da totalidade de Seu ministério. Eles o viram morto, e a seguir, o viram vivo ao terceiro dia, Eles o tocaram e andaram com Jesus. Viveram com Ele e o assistiram subir aos céus. Esses homens seriam capazes de testemunhar em favor do que tinham visto? Obviamente que sim! É isto o que é ser uma testemunha. É alguém que tem visto ou ouvido algo. Você e eu não somos testemunhas de Jesus! Nós não O vimos, e assim, nós não podemos testemunhar em favor de Cristo. Nossa tarefa é apresentar o testemunho de testemunhas oculares.
Em Atos 10:39-41, o apóstolo Pedro é enviado a Cornélio, o centurião romano, a fim de convertê-lo. Ele dá testemunho em favor do que viu como testemunha. Ele diz: “e nós somos testemunhas de tudo o que ele fez na terra dos judeus e em Jerusalém; ao qual também tiraram a vida, pendurando-o num madeiro. A este ressuscitou Deus no terceiro dia e concedeu que fosse manifesto, não a todo o povo, mas às testemunhas que foram anteriormente escolhidas por Deus,… ” agora veja Pedro identificar quem estas testemunhas eram. Ele disse: “‘isto é, a nós que comemos e bebemos com ele, depois que ressurgiu dentre os mortos;” Ninguém hoje em dia pode dizer que viveu com Jesus. Eles não podem dizer que O viram morto e, mais tarde, viram-no vivo a fim de mostrar que tinha ressuscitado. Quem viu Jesus ressuscitar? Ninguém! Mas eles estiveram com Jesus; eles o viram morto, e eles afirmam o ter visto vivo ao terceiro dia. Portanto, eles podem testemunhar que este que morreu e agora está vivo, ressuscitou. Esta é a lógica.
Os apóstolos estiveram com Jesus pelos três anos e meio do Seu ministério. Durante esta época eles o ficaram conhecendo, assim, eles seriam capazes de identificar Aquele com quem eles comeram e beberam depois que ressuscitou.
Há uma afirmação em Atos 10:42 muito interessante. Pedro faz uma distinção entre testemunhar, ou testificar, e pregar. Ele diz que Deus os encarregou de pregar ao povo e testificar que este é quem Deus ordenara juiz dos vivos e dos mortos. Isto faz uma distinção muito clara entre a pregação (eu posso pregar; você pode pregar), e o testemunho que está confinado às testemunhas oculares que nos estão dando este relato. O apóstolo Paulo está em completo acordo com isto.
Em Atos 13:30-31, o apóstolo Paulo está pregando o evangelho, e ele chega a este mesmo ponto da morte, sepultamento e ressurreição de Cristo. Ele oferece a evidência para as pessoas às quais ele está pregando. Ele diz: “Mas Deus o ressuscitou dentre os mortos; e foi visto muitos dias pelos que, com ele, subiram da Galiléia para Jerusalém, os quais são agora as suas testemunhas perante o povo.” Até mesmo o apóstolo Paulo se excluiu deste grupo particular. Paulo, como veremos mais tarde, deu o testemunho de sua experiência com Cristo. Aqui, ele está chamando o povo a ver o testemunho que os apóstolos podiam dar, porque haviam sido parte do que ocorrera. Agora ele diz que os apóstolos são aquelas testemunhas que com Jesus subiram da Galiléia a Jerusalém. “Eles”, disse Paulo, “são agora Suas testemunhas”. Você é capaz de ver que o testemunho está confinado a um grupo seleto de homens, a saber, os apóstolos, aqueles que foram escolhidos antes?
Se você quer saber quem foram estes escolhidos anteriormente, simplesmente leia Atos 1:1-3, onde Lucas inicia o seu segundo volume a Teófilo e diz:
“Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar até ao dia em que, depois de haver dado mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos que escolhera, foi elevado às alturas. A estes também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e quarenta noites e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.”
Nem todos do povo eram testemunhas, mas apenas aqueles que Ele escolhera anteriormente para serem testemunhas. Agora, quem eram estas testemunhas? Eram aqueles que estiveram com Ele desde o início. O que é o início? Nós veremos quando investigarmos as qualificações de uma testemunha.
Há pelo menos duas qualificações que as pessoas hoje em dia não preenchem. Nós lembramos que em João 15:26-27, Jesus disse que quando o Espírito viesse, os apóstolos dariam testemunho. Isto significa obviamente que o Espírito os guiaria em seu testemunho. Ele então disse: “… porque estais comigo desde o princípio.”
Em Atos 1:21-22, encontramos o relato de como Pedro e o restante dos apóstolos reservam um momento para nomear um homem que tomaria o lugar de Judas Iscariotes. Há dois homens que preenchem as qualificações descritas nos versículos 21 e 22. Pedro diz: “É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição.” Você tem dois pontos aqui.
Primeiro: você viu o que é o início – é desde os dias do batismo de João. Depois que o ministério de Jesus teve início no batismo de João, então os homens que seriam testemunhas oculares tinham que estar na presença de Jesus, ouvindo, vendo, e se familiarizando com Ele. Então eles tinham que vê-lo morto.
Segundo: depois da Sua ressurreição ao terceiro dia, eles tinham ficado com Jesus por mais quarenta dias, comido, bebido e vivido com Ele. Eles também o tocaram, e sabiam que Ele era a mesma pessoa com a qual eles tinham estado por três anos e meio. A seguir, eles presenciaram a Sua ascensão. Daqueles homens que preenchiam estas qualificações, apenas um poderia ser selecionado para tomar o lugar de Judas Iscariotes. Dois homens preenchiam estas qualificações. E os lançaram em sortes, a sorte veio sobre Matias, e Lucas diz que ele foi contado com os onze. E assim, o homem escolhido para se tornar uma testemunha foi aquele que possuía estas qualificações especiais. Ninguém hoje em dia satisfaz a estas qualificações especiais.
Lucas nos diz o propósito de ser uma testemunha. Ele iria testificar em favor da ressurreição de Jesus Cristo. Aqui está o propósito pelo qual os apóstolos deram testemunho: a fim de provar que Jesus é o Filho de Deus, nós temos que mostrar que Ele pode fazer mais do que um simples homem. Cristo afirmou ser o Filho de Deus. Ele afirmou que vai nos julgar. Ele afirmou que Suas palavras são o padrão de julgamento e que um dia Ele nos levará aos céus para a eternidade num mundo maravilhoso além dessa terra. Qual a prova disso? A ressurreição é certamente a prova disso. Se pudermos mostrar que Jesus ressuscitou, então isto é uma confirmação de que Ele é tudo o que afirmou ser. Este foi o trabalho dos apóstolos; eles deveriam dar o seu testemunho como testemunhas oculares.
O Poder do Testemunho dos Apóstolos
Qual é a força do testemunho de testemunhas oculares?
A força é tríplice.
Primeiro: teria que haver mais de uma testemunha. Teria que ter havido várias a fim de corroborar o testemunho delas. Se alguém viesse e dissesse que tinha visto algum tipo de coisa notável acontecer, então você poderia crer, como também poderia não crer. Mas se uma outra pessoa viesse ao lado daquela pessoa e dissesse: “Sim, eu vi a mesma coisa,” então isto iria corroborar o seu testemunho. Suponha que uma terceira pessoa que viesse fosse bastante confiável, não dada ao exagero, e esta terceira pessoa dissesse: “Sim, eu vi a mesma coisa ocorrer.” E, a seguir, uma quarta pessoa viesse e dissesse: “Sim, eu vi acontecer.” Se não houvesse nada de errado quanto ao caráter desses homens, se não houvesse nada de errado após serem investigados quanto à sua aptidão para dar testemunho em favor do que eles disseram que viram, então quatro, cinco, seis testemunhas seriam o bastante para convencer quase todo mundo de que a coisa que eles disseram acontecer, aconteceu de verdade.
Nós temos o testemunho de doze homens, e este é um número muito bom. Aqui estão doze homens que, no dia de Pentecostes, ficaram de pé, todos juntos e testificaram que tinham visto o Cristo. Quando doze homens dão o mesmo testemunho, você vai pensar que isto deve ser verdade mesmo.
Em Segundo Lugar, a força do testemunho deles é a unidade ou a unanimidade de seu ensino. Eles estavam em perfeito acordo uns com os outros. Não havia desacordo.
Leonard Kale foi um dos meus alunos alguns anos atrás. Leonard tinha servido por vinte anos na Patrulha Rodoviária do Estado da Califórnia. Ele era um homem bastante acostumado a obter testemunhos de testemunhas oculares que tinham presenciado acidentes e as suas circunstâncias. Na minha aula eu queria mostrar a necessidade que os apóstolos tinham de receberem o Espírito Santo como uma qualificação para o seu testemunho apostólico. Esta é a segunda qualificação, que é absolutamente necessária. Lembre-se que Jesus disse: “Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim; e vós também testemunhareis porque estais comigo desde o princípio.” (João 15:26-27). Lembre-se, também, que em João 14:26 e João 16:13, Jesus disse que o Espírito guiaria esses homens sobrenaturalmente, miraculosamente, na verdade que eles precisavam pregar. Então, em Atos 1:8, Ele disse: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.”
– Quando, então, é que os apóstolos se tornariam testemunhas?
Eles já tinham estado com Jesus por três anos e meio.
Eles o tinham visto morto.
Três dias mais tarde eles afirmaram tê-lo visto vivo e, quarenta dias depois, presenciaram a Sua ascensão.
Eles já eram testemunhas?
Bem, eles o tinham visto, mas não, eles ainda não eram testemunhas oficiais porque ainda não tinham recebido o Espírito Santo que guardaria o testemunho humano deles do erro.
Estas são as duas qualificações.
Eles tinham que ter estado com Jesus desde o início, ficado com Ele depois da ressurreição e presenciado a Sua ascensão. Contudo, até mesmo isso não era suficiente e não seria o suficiente até o dia de Pentecostes, quando eles receberiam o Espírito Santo que guardaria e guiaria o testemunho deles em cem por cento de exatidão.
Enquanto eu estava apresentando esta aula, perguntei a Leonard Kale qual era o percentual de concordância do testemunho de testemunhas oculares em relação a algo como um acidente. Eu pensava que talvez sessenta ou setenta por cento. Ele sorriu e disse: “É apenas quarenta por cento de exatidão.”
Alguém não fica simplesmente na esquina e diz: “Eu acho que vou esperar aqui até que um acidente ocorra e eu veja.” Simplesmente não acontece desse jeito, acontece?
Um testemunho ocular de algum fato pode não ser um testemunho ocular voluntário. O ser uma testemunha simplesmente acontece. Casualmente elas veem o evento ocorrer. E duas ou três pessoas muito honestas e bem intencionadas podem dar seu testemunho e contradizerem-se entre si. Leonard Kale fala de um percentual de apenas quarenta por cento de concordância entre testemunhas oculares.
Mas o que temos nos apóstolos é a garantia de uma concordância de cem por cento entre todos os doze homens. Assim, nós vemos a força do testemunho dos apóstolos. Havia doze deles, um bom número, e eles estavam todos em perfeita concordância.
Terceiro: Estes homens sofreram perseguição por aquilo em que acreditavam. Estes homens sofreram discriminação. Cada um desses homens viveram uma vida de mártir até que todos, com exceção de João, morressem a morte de um mártir. E o próprio João foi exilado para uma ilha rochosa chamada Patmos. Diga-me então que esses homens mentiram sobre o que eles viram. Qual seria o propósito da mentira? Homens não mentem para serem perseguidos. Todavia, estes homens mantiveram sua posição sob intensa perseguição, sob discriminação e sob ameaça de morte. Por toda sua vida nenhum deles abjurou de seu testemunho. Cada um deles foi fiel até à morte. Agora, quando você tem doze homens que estão em total concordância em tudo o que eles dizem, e eles vivem isso sob perseguição, então você tem que concluir que estes homens eram sinceros. Nós não encontramos nenhuma evidência em contrário para qualquer testemunho que eles tenham dado. Tudo isto tem dado crédito ao testemunho apostólico que Jesus foi ressuscitado dos mortos.
Esta é a linha exata de ensino com a qual os apóstolos iniciaram no Pentecostes, e pode ser traçada por todo o Novo Testamento. Em Atos 2:22-24, Pedro disse:
“Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis; sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos; ao qual porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse ele retido por ela.”
Há a proposição de Pedro e dos demais apóstolos no Pentecostes. Vocês o mataram; Deus O ressuscitou, e Pedro então começa a fornecer a prova de que Jesus foi ressuscitado. Depois que ele apresenta sua prova, afirma em Atos 2:32: “A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas.” Os apóstolos se levantam de braços dados com todos os doze dizendo: “Deus ressuscitou Jesus dos mortos.” Uma das grandes provas de Deus ter ressuscitado Jesus dos mortos é que os apóstolos disseram: “Nós o vimos.” Três mil pessoas deram o passo adiante na conversão para serem batizadas.
Estes homens foram imediatamente perseguidos por aquilo que disseram ter visto. Em Atos 3:1ss, Pedro e João vieram a um coxo, e eles o curaram. Isto atraiu uma multidão. Em 3:14-15, Pedro e João começaram a pregar. Eles pregaram a crucificação e a ressurreição de Jesus. Em Atos 3:14-15 eles disseram à multidão que estava reunida para ver este homem que eles tinham acabado de curar: “Vós, porém, negastes o Santo e o Justo e pedistes que vos concedessem um homicida. Dessarte, matastes o Autor da vida, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas.” O que eles apresentam como prova de que Deus o ressuscitara? Eles disseram: “do que nós somos testemunhas.” Eles apresentaram seu próprio testemunho como prova de que Ele fora ressuscitado.
Em Atos 4 nós descobrimos que a igreja começa a ser perseguida precisamente por causa da pregação da ressurreição. Os saduceus não criam na ressurreição, e assim eles iniciaram esta perseguição baseados nesta doutrina. Pedro e João são presos pela hierarquia judaica. Dizem-lhes que não ensinem mais o nome de Jesus (Atos 4:18). Contudo, diz em 4:19-20, “Mas Pedro e João lhes responderam: ‘ julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus; pois não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos.’” Novamente eles apelaram para a ressurreição e seu próprio testemunho como prova de que Ele havia ressuscitado.
A mesma coisa acontece no quinto capítulo. Eles começaram a pregar e são presos. Mas um anjo do Senhor aparece e abre as portas da prisão e diz a eles que devem sair e pregar a Jesus. Eles vão ao templo, onde ficam de pé e falam. Em Atos 5:25 afirma-se que chega a notícia ao Sinédrio Judaico que eles estão no templo pregado sobre a ressurreição novamente. Pedro e João são presos mais uma vez e trazidos diante do Sinédrio que lhes diz: “‘Expressamente vos ordenamos que não ensinásseis nesse nome; contudo, enchestes Jerusalém de vossa doutrina; e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem.’ Então Pedro e os demais apóstolos afirmaram: ‘Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.’” (Atos 5:28-29). Ele a seguir disse: “O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, a quem vós matastes, pendurando-o num madeiro. Deus, porém, com sua destra o exaltou a Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão de pecados. Ora, nós somos testemunhas desses fatos, e bem assim o Espírito Santo, que Deus outorgou aos que lhe obedecem.“ (Atos 5:30-32).
Por todo o livro de Atos você encontra todos estes testemunhos dos apóstolos. Eles estiveram com Jesus; viram-no vivo; e depois, viram-no morto. A seguir, viram-no vivo novamente. Eles viveram com Jesus, comeram com Ele, apalparam-no e presenciaram a Sua ascensão. Eles disseram: “Nós vimos tudo!” Eles começaram a ser perseguidos por causa dEle, e nunca se desviaram em meio a esta perseguição.
João nos leva direto para o final do Novo Testamento com o mesmo testemunho. Há uma fabulosa afirmação em 1 João 1:1: “O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida…” Esta afirmação refere-se somente aos apóstolos. João continua: “(e a vida se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada).” (1 João 1:2). Nós vivemos só por um pouquinho, e depois nós morremos. Como pode a vida eterna ser manifestada? É por uma morte, um sepultamento, e uma ressurreição. E os apóstolos disseram: “Nós vimos a Jesus. Nós o vimos morto. Depois, nós o vimos vivo.” Eles deram testemunho aos outros dessa ressurreição. Existe a vida eterna. E João diz em I João 1:3, “o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho, Jesus Cristo.”
Conclusão
Nossa fé hoje em dia é dependente do testemunho dos apóstolos assim como Jesus orou em João 17:20. Os apóstolos insistem que nós somos salvos por fé em Jesus. Mas nós não podemos ter fé independentemente da palavra dos apóstolos. Paulo disse em Romanos 10:17: “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.” Você pode não acreditar que a Bíblia é a Palavra de Deus, mas uma coisa é certa: é um livro histórico. Ela traz em si o testemunho de testemunhas confiáveis, homens que estiveram com Jesus por três anos e meio, homens que o assistiram realizar milagres, homens que o viram pendurado no madeiro até que morresse, homens que o viram morto, e homens que no terceiro dia viram-no vivo. Eles tocaram, comeram, viveram com Ele, e assistiram à Sua ascensão. Então, no Pentecostes eles começaram a dizer que tinham feito e visto todas estas coisas. Por causa da fala deles, passaram a ser perseguidos, viveram vidas de mártires, até que morreram como mártires. De onde obtiveram a habilidade de suportar a perseguição, a menos que o que eles disseram ter visto, fosse real? O que diz a razão? Ela diz: “Julgue a evidência e tire uma conclusão que concorda com os fatos.” O que a razão diz? Para mim ela diz: “Jesus ressuscitou dos mortos,” e uma das grandes provas é o testemunho dos apóstolos.
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