
1 Enquanto isso, Saulo ainda respirava ameaças de morte contra os discípulos do Senhor. Dirigindo-se ao sumo sacerdote,
2 pediu-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, de maneira que, caso encontrasse ali homens ou mulheres que pertencessem ao Caminho, pudesse levá-los presos para Jerusalém.
3 Em sua viagem, quando se aproximava de Damasco, de repente brilhou ao seu redor uma luz vinda do céu.
4 Ele caiu por terra e ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que você me persegue? “
5 Saulo perguntou: “Quem és tu, Senhor? ” Ele respondeu: “Eu sou Jesus, a quem você persegue.
6 Levante-se, entre na cidade; alguém lhe dirá o que você deve fazer”.
Atos 9:1-6
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A RESSURREIÇÃO DE JESUS (4):
A CONVERSÃO DE SAULO DE TARSO
Introdução
Nosso argumento final em favor da ressurreição de Cristo se baseia numa invocação ao testemunho dos fatos relacionados à conversão de Saulo de Tarso. A força desse argumento está no seu modo de viver antes de ter se tornado um cristão, quando ele era um perseguidor do cristianismo. O furioso zelo de Saulo, a severidade de sua perseguição à igreja e a sincera convicção de que o que ele estava fazendo estava correto, tudo se combina para produzir uma personalidade que não poderia ser atingida por nenhuma combinação de esforços humanos. Mesmo assim, este homem foi alcançado e convertido ao cristianismo.
Esta mudança abrupta de um autonomeado exterminador da religião cristã, a um expoente pregador do evangelho revela um contraste de proporções tão extremas que nem toda a soma de processos naturais seria adequada para explicar esta mudança e conversão que aconteceu em sua vida. Will Durant, em seu livro César e Cristo, faz esta exata observação, quando Ele admite que houve um Saulo de Tarso na história, que perseguiu a igreja, e que foi convertido a Cristo: “Ninguém pode dizer que processo natural está por trás dessa experiência pivô.” Eu diria que é porque processos naturais são totalmente inadequados para explicar a mudança que ocorreu a este homem.
É aqui que encontramos uma razão muito inteligente e convincente para acreditar que Jesus ressuscitou: Ele apareceu repentinamente a Saulo no caminho para Damasco, quando ia prender cristãos; e o enviou a Damasco. Foi lá que Jesus veio a Saulo e o converteu. Ananias então veio e o batizou em Cristo.
Esta conversão é mencionada quatro vezes no Novo Testamento, e assim, possui bastante peso. Nós temos alguns fatos aqui que precisamos investigar.
Primeiro: houve um Nazareno que foi crucificado – Jesus Cristo. Este é um fato histórico.
Um outro fato histórico: Saulo de Tarso foi um perseguidor da igreja de Cristo, foi convertido ao cristianismo e disse que viu Jesus na estrada de Damasco.
Tudo isto é fato.
Nós não estamos simplesmente dizendo que ele viu a Jesus. Nós estamos dizendo que ele disse que viu Jesus. Se, de fato, Saulo de Tarso viu a Cristo como afirma ter visto, e Cristo é a causa de sua conversão, então, visto que Cristo foi crucificado e sepultado, a fim de aparecer a Saulo, conseguir sua atenção e fazer uma reviravolta radical acontecer a esse homem, então Cristo tinha que estar ressuscitado a fim de fazer esta aparição pós-ressurreição. É exatamente isto que nós veremos que ocorreu.
Quem Foi Saulo?
A Afirmação Quádrupla de Paulo: Gálatas 1:11-13
O que irá nos convencer que Saulo de Tarso de fato viu a Cristo, que fora crucificado e, portanto, tinha que estar ressuscitado? Nós vamos começar nosso estudo no livro de Gálatas onde o apóstolo Paulo oferece à igreja na Galácia algumas razões para crer que foi Jesus quem lhe deu o evangelho que pregava.
Nós começamos em Gálatas 1:11-13. Nos versículos 11 e 12 Paulo faz uma afirmação quádrupla, que se torna uma proposição que ele prova. Ele diz no versículo 11, “Faço-vos, porém, saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é segundo o homem,” Qualquer pregador do evangelho pode dizer que nosso evangelho não é segundo o homem, isto é, não é um evangelho feito pelo homem. Mas as próximas afirmações que ele faz, não podemos fazer. Ele diz no versículo 12: “Porque eu não o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo.”
Paulo faz esta afirmação quádrupla: seu evangelho não é feito pelo homem, porque nenhum homem lhe trouxe esse evangelho, e nem tão pouco fora educado nesse evangelho por um lento processo educacional. Ele diz: “Mas em vez disso, foi dado a mim pela divina revelação de Jesus.” Obviamente, antes que Paulo fosse convertido, Jesus Cristo foi crucificado no Calvário (o que é um fato histórico). Se pudermos provar que Jesus apareceu a Saulo e lhe deu o evangelho como ele mesmo afirmou que Cristo o fez, então vamos ter que acreditar que o Cristo crucificado ressuscitou a fim de fazer aquela aparição pós-ressurreição.
O Argumento Tríplice de Paulo que Jesus lhe Apareceu
Qual foi o argumento que Paulo deu à igreja de Cristo na Galácia?
Paulo havia estabelecido a igreja na Galácia, e a seguir, falsos professores chegaram depreciando o apostolado e evangelho de Paulo. Paulo teve que provar que era um apóstolo, que ele, de fato, viu a Jesus como os apóstolos originais e recebeu o evangelho de Cristo até mesmo como os apóstolos originais receberam, a fim de defender sua autoridade apostólica e evangelho. Começando no versículo 13, o apóstolo nos conduz ao versículo 14, e fornece um argumento tríplice à igreja na Galácia, demonstrando que Jesus lhe apareceu e deu o evangelho que ele pregava. Paulo escreve:
“Por que ouvistes qual foi o meu proceder outrora no judaísmo, como sobremaneira perseguia eu a igreja de Deus e a devastava. E, na minha nação, quanto ao judaísmo, avantajava-me a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais.” (Gálatas 1:13-14).
Paulo informa aos membros desta igreja o que eles já tinham ouvido. Ele não os está educando em coisa alguma, mas sim, os lembrando daquilo que já sabem. Ele afirma que não obteve nem foi educado neste evangelho por homem algum, mas em vez disso, recebeu por meio da revelação do próprio Senhor. Paulo disse: “Por que…”. A palavra “por que” vem do grego gar, que significa “deixe-me lhe dizer por quê.” Paulo faz exatamente isto, pois ele começa a dar suas razões. Ele diz: “Por que vocês sabem minha maneira de viver no passado no judaísmo…” Paulo diz que, enquanto no judaísmo, sua maneira de viver era tão oposta ao cristianismo que ele não poderia ser alcançado por nenhum tipo de combinação de esforços humanos. Portanto, foi necessária a aparição sobrenatural de Jesus para convertê-lo.
Aqui está a evidência que ele oferece. Ele diz: “Vocês conhecem minha maneira de viver.” Os gálatas tinham ouvido sobre sua vida anterior, e assim, sabiam a respeito dela. Ele disse: “Vocês sabem como eu persegui a igreja de Deus sobremaneira.” Como ele perseguiu a igreja? Sobremaneira. Ele disse: “… e a devastava” (Gálatas 1:13). Por ser constituída de seus contemporâneos, a igreja na Galácia iria entender isto perfeitamente. Eles podiam conferir. Você e eu não temos esta informação fora do Novo Testamento. Mas no livro de Atos vamos ser capazes de ver reproduzido um retrato histórico de Saulo de Tarso, e assim, com esta fotografia, poderemos notar o que se esperava que os gálatas entendessem quando Paulo disse: “Por que ouvistes qual foi o meu proceder outrora no judaísmo, como sobremaneira perseguia eu a igreja de Deus e a devastava.”
Lucas vai pintar um retrato histórico de Saulo em sua severa perseguição anti-cristã, tentando erradicar o cristianismo da terra. Em Atos 7, vemos que Estêvão está pregando o evangelho, e ele fala com tal sabedoria que Lucas diz que aqueles que estavam ouvindo não eram capazes de entendê-lo; e assim eles recorrem à violência. Em Atos 7:58 diz que eles deixaram suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo. O texto também continua nos dizendo que eles apedrejaram Estêvão. Em Atos 8:1a, Lucas escreve: “E Saulo consentia na sua morte.” Os homens deixaram suas vestes aos pés de Saulo (Atos 7:58). Neste versículo, somos apresentados a Saulo de Tarso pela primeira vez na história. Quando diz que deixaram suas vestes aos seus pés, isto significa que o reconheciam como o líder. Saulo foi o iniciador da perseguição à igreja e diz em Atos 8:1b: “Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria.” Lucas então afirma no versículo 3: “Saulo, porém, assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere.”
Veja os verbos nessas afirmações. O texto diz que Saulo assolava a igreja e que ele estava matando pessoas. Ele entrava em cada casa à vontade prendendo homens e mulheres. Nem mesmo as mulheres escapavam da fúria perseguidora desse homem. O texto diz que ele os prendia e levava a julgamento e que ele estava tentando eliminar completamente o cristianismo. Atos 9:1-2 afirma:
“Saulo, respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote e lhe pediu cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de que, caso achasse alguns que eram do Caminho, assim homens como mulheres os levasse presos para Jerusalém.”
Em sua cruel tentativa de erradicar a religião cristã, Saulo obteve documentos oficiais e autoridade para sair da terra santa, a Palestina, para Damasco. Se ele encontrasse quaisquer cristãos ali, ele tinha permissão de trazê-los presos a Jerusalém. Ele recebeu o direito de extradição. Ele poderia encontrar, prender e finalmente extraditá-los para Jerusalém a fim de serem julgados.
Isto mostra algo do retrato que Lucas está tentando pintar para nós no livro de história chamado Atos, e que o apóstolo Paulo esperava fosse imediatamente reconhecido pelos gálatas quando disse: “… como sobremaneira perseguia eu a igreja de Deus e a devastava.” Anos mais tarde, sendo Paulo já um veterano em Jesus Cristo, ele vem a Jerusalém. Preso, ele começa a falar ao povo. Em Atos 22:4 Paulo diz: “Persegui este Caminho até à morte, …” Eis a severidade à qual Paulo chegou. Você lembrará que ele falou aos gálatas que perseguiu a igreja sobremaneira tentando fazer dela uma devastação. Sua versão pode dizer: “…procurando destruí-la.”(Gálatas 1:13, NVI). É exatamente isto que Paulo está dizendo aqui.
Em Atos 26:9-13, vemos que o apóstolo Paulo tinha estado na prisão em Cesaréia por dois anos inteiros. Ele vai colocar-se perante o rei Agripa e perante o governador Festo, a fim de apresentar-lhes a razão pela qual os judeus o colocaram na prisão. Ele diz em 26:2: “Tenho-me por feliz, ó rei Agripa, pelo privilégio de, hoje, na tua presença, poder produzir a minha defesa de todas as acusações feitas contra mim pelos judeus;…” e ele continua a dizer que Agripa era familiar com todos os costumes dos judeus. Paulo começa a fazer sua defesa no 26:4, quando ele diz: “Quanto à minha vida, desde a minha mocidade, como decorreu desde o princípio entre o meu povo e em Jerusalém, todos os judeus a conhecem;” Ele começa falando a respeito de seu modo de viver no passado.
Paulo descreve o ódio anti-cristão que o levou a empreender sua perseguição contra a igreja. Ele apresenta a Agripa e Festo o fato de que Deus pode ressuscitar os mortos. No versículo 8, ele diz: “Por que se julga incrível entre vós que Deus ressuscite os mortos?” No versículo 9, ele começa a pintar um quadro da maneira pela qual ele estivera tentando destruir o cristianismo: “Na verdade, a mim me parecia que muitas coisas devia eu praticar contra o nome de Jesus, o Nazareno.”
A propósito, deixe-me, exatamente a esta altura de nosso estudo, expor um pensamento. Às vezes, você pode ouvir alguém dizer que Saulo de Tarso era um homem que tinha um pensamento dividido sobre o que ele estava fazendo aos cristãos. Afinal de contas, estes eram pessoas boas. Elas não estavam fazendo nada de errado, e Saulo era um homem religioso sincero. Sua consciência provavelmente se sentia culpada quando ele pensava sobre isso, e por esta razão, ele tinha um pensamento dividido. Este homem que foi levado pela convicção e ainda assim, tinha sentimentos de culpa contra o que ele estava fazendo, provavelmente teve um “momento psicológico”, pensando que ele viu a Jesus, quando na verdade, ele não viu. Estas pessoas dão uma razão psicológica para a mudança de Paulo!
Contudo, isto é completamente contrário aos fatos no caso. Paulo disse: “Eu estava fazendo o que eu achava que eu deveria estar fazendo.” Ele não teve nenhuma dor de consciência contra o que ele estava fazendo. Sua consciência estava limpa. Ele pensava estar servindo a Deus. Ele prossegue dizendo em Atos 26:10: “E assim procedi em Jerusalém. Havendo eu recebido autorização dos principais sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e contra estes dava o meu voto, quando os matavam.” Ele estava matando os cristãos. Ele diz no versículo 11: “Muitas vezes, os castiguei por todas as sinagogas, obrigando-os até a blasfemar. E, demasiadamente enfurecido contra eles, mesmo por cidades estranhas os perseguia.” A quem você pune? Você pune pessoas por fazerem coisas erradas. Mas a quem ele estava punindo? Ele diz: “Eu os punia em todas as sinagogas.” Bem, você encontra judeus em sinagogas. Por que ele estava punindo judeus? Ele não era um judeu também? Bem, o motivo era que estes judeus tinham se convertido ao cristianismo, e eles estavam provavelmente ocupando suas sinagogas com assembleias cristãs. Assim, ele disse: “…obrigando-os até a blasfemar. E, demasiadamente enfurecido contra eles, mesmo por cidades estranhas os perseguia.” A consciência desse homem estava limpa, e isto nos dá um quadro nítido da perseguição de Saulo contra a igreja.
Paulo continua em 26:12-13, dizendo: “Com estes intuitos, parti para Damasco, levando autorização dos principais sacerdotes e por eles comissionado. Ao meio dia, ó rei, indo eu caminho fora, vi uma luz no céu, mais resplandecente que o sol, que brilhou ao redor de mim e dos que iam comigo.” Ele relata que Jesus lhe apareceu, o detendo exatamente onde ele estava, teve sua atenção, e o enviou para Damasco onde o próprio Jesus o converteu.
Aqui nós temos o retrato histórico. Aqui nós verificamos que Saulo era severo em sua perseguição do cristianismo a ponto de tentar fazer da igreja de Cristo uma terra arrasada. O que você pode dizer sobre tudo isso? Observe tudo o que está envolvido nessa situação. Ele perseguiu a igreja sobremaneira, a ponto de persegui-la até com um certo fanatismo.
Este é o retrato que Lucas nos dá, e esta é exatamente a mesma coisa que Paulo esperava que os cristãos na Galácia concluíssem quando ele os fez lembrar de sua maneira de viver no passado. Ele disse: “Eu não recebi o evangelho de nenhum homem, mas em vez disso,” ele disse: “Eu o recebi de Jesus assim como os apóstolos originais receberam.” Mas Jesus foi crucificado. Como Paulo foi capaz de receber o evangelho de Jesus que foi crucificado, a menos que ele estivesse ressuscitado dos mortos e aparecesse a ele na estrada de Damasco, até mesmo como Paulo afirmou que ele apareceu? Saulo era um fanático. Como você alcança um fanático? Você não pode. Não há jeito pelo qual você possa. Não há nenhuma quantidade de esforços humanos que pudessem se combinar para alcançar um fanático chamado Saulo de Tarso. Mas ele foi alcançado. Como? Deus o alcançou com Jesus. Contudo, se Jesus Cristo não foi ressuscitado e se Jesus, que foi ressuscitado, não apareceu a Saulo na estrada de Damasco, então diga-me, como Saulo se converteu ao cristianismo? Quem o converteu? Isto tem que ser respondido.
Em segundo lugar, Paulo diz aos gálatas: “Eu quero provar a vocês que eu obtive o meu evangelho diretamente de Jesus.” Ele disse: “E, na minha nação, quanto ao judaísmo, avantajava-me a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais.” (Gálatas 1:14). Há muitas áreas onde o jovem brilhante Saulo de Tarso se avantajava no judaísmo. Ele se avantajava na sociedade. Ele nasceu fariseu. Isto o garantia um grande número de privilégios profissionais, educacionais e até mesmo financeiros. Nós descobrimos que ele se avantajava até mesmo aos de sua própria idade. Aqui, então, está o brilhante jovem Saulo de Tarso, se avantajando em finanças, autoridade, poder, educação e na religião dos judeus. Qualquer pessoa que tivesse avançado em finanças, poder, autoridade, sociedade e educação teria que ser um indivíduo proeminente. Isto é fato neste caso. O que temos nós além de um proeminente fanático? Estes são geralmente os tipos mais difíceis de serem convertidos. Quem converteu o proeminente fanático? Quem poderia ter feito isto? Amigos ou inimigos? Seus amigos eram os judeus. Eles o estavam sustentando em sua perseguição contra a igreja. Eles não o teriam convertido ao cristianismo. E os cristãos? Eles certamente não poderiam. Paulo os lançaria na prisão antes do anoitecer.
Uma coisa nós sabemos: este proeminente fanático se converteu mesmo.
Se não foi Jesus, então quem foi capaz de fazê-lo?
Que resposta sensata nós podemos dar?
Finalmente, não apenas ele disse ter perseguido a igreja fanaticamente, ele não apenas avançou no judaísmo a uma posição de proeminência, mas ele disse que era extremamente zeloso das tradições de seus pais. O fato de dizer que ele era zeloso já é interessante, mas Paulo diz que era mais do que zeloso. Ele era extremamente zeloso. Saulo de Tarso, como Paulo, o cristão, tinha uma só velocidade: a todo vapor. Tudo o que ele encarava era feito com o maior zelo.
Mas pelo que ele tanto zelava?
Pelas tradições de seus pais, seus pais fariseus. Este fariseu cresceu na casa de um fariseu. Ele aprendeu o farisaísmo. Foram os fariseus quem se opuseram a Cristo e o crucificaram. E este fariseu, Saulo de Tarso, estava perseguindo o cristianismo pela mesma razão que seus pais perseguiram o fundador do cristianismo. Eis aqui um homem que acreditava com toda a genuína sinceridade ser certo o que fazia, pois o fazia como se fosse em nome de seu Senhor. Mas o nome já tinha prejulgado a religião cristã. Ele era um fanático proeminente de opinião preconcebida.
A pergunta que eu levanto é: “Quem pode converter um homem desses?”
É possível para qualquer ser humano a capacidade de converter um proeminente fanático preconceituoso?
O que você lhe ofereceria? O que você lhe daria? O que haveria a oferecer?
Ele já tem uma educação. Ele já tem acesso a finanças. Aqui está um homem convencido de que a religião na qual vive é certa. Ele próprio fez grande progresso; ele é dedicado ao que está fazendo, e o faz em nome de Deus. Ele parece ter a idéia de que Deus se agrada dele. Ele não tinha pesquisado o cristianismo; ele estava tentando completamente aniquilá-lo. Estas forças se combinam para mostrar que este homem era totalmente inatingível. E mesmo assim, ele foi atingido. Quem o alcançou, senão Jesus Cristo?
Outras Considerações Sobre a Conversão de Saulo
Quando o apóstolo Paulo tinha terminado de fazer sua defesa perante o rei Agripa e Festo, Lucas afirma em Atos 26:24: “Dizendo ele estas coisas em sua defesa, Festo o interrompeu em alta voz: ‘Estás louco, Paulo! As muitas letras te fazem delirar.’” Ora, Festo não estava realmente acusando Paulo de estar louco. Nós falaríamos provavelmente da seguinte maneira: “Bem, você não está falando sério.” Festo estava na verdade dizendo: “O que você está dizendo, Paulo, não é verdade.” Mas Paulo disse: “Paulo, porém, respondeu: Não estou louco, ó excelentíssimo Festo! Pelo contrário, digo palavras de verdade e de bom senso.” (Atos 26:25). Ele então afirmou: “Porque tudo isto é do conhecimento do rei, a quem me dirijo com franqueza, pois estou persuadido de que nenhuma destas coisas lhe é oculta; porquanto nada se passou em algum lugar escondido.” (Atos 26:26).
A vida inteira de Paulo era como um livro aberto para qualquer pessoa ler. Eles podiam constatar que a vida de Saulo de Tarso, antes de se tornar um cristão, estava em aberta oposição ao cristianismo, e resultou de um sincero desejo de fazer o que ele achava que iria agradar a Deus ao livrar-se do cristianismo. Ele diz: “Nada disso se passou em algum lugar escondido. Está aberto para todos investigarem.” Depois que Will Durant examinou estes mesmos fatos da história, ele fez a observação que nós vimos anteriormente nesta lição. Ele diz: “Ninguém pode dizer que processo natural está subjacente a esta experiência pivô.” Visto que processos naturais não poderiam ter se combinado para produzir a conversão de Saulo de Tarso, sua conversão ainda assim foi produzida. A única conclusão que nós temos é que este homem, que era inatingível, foi atingido por Jesus. Mas Jesus foi crucificado. Como foi possível então para ele aparecer a Saulo na estrada para Damasco, a menos que, de fato, estivesse ressuscitado dos mortos?
Qual é a função da razão? A função da razão não é recusar a evidência e dizer: “Bem, isto é sobrenatural. Nós não vamos nem mesmo considerar isto.” Os fatos estão diante de nós em documentos historicamente confiáveis. Estes fatos devem ser considerados. Esta é a função da razão: julgar a evidência e tirar uma conclusão que seja de acordo com a afirmação. A afirmação que Paulo fez foi que ele viu a Jesus na estrada de Damasco.
O que diz a razão?
O que diz a evidência?
O que diz você?
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