
1 Enquanto Pedro e João falavam ao povo, chegaram os sacerdotes, o capitão da guarda do templo e os saduceus.
2 Eles estavam muito perturbados porque os apóstolos estavam ensinando o povo e proclamando em Jesus a ressurreição dos mortos.
3 Agarraram Pedro e João e, como já estava anoitecendo, os colocaram na prisão até o dia seguinte.
4 Mas, muitos dos que tinham ouvido a mensagem creram, chegando o número dos homens que creram a perto de cinco mil.
5 No dia seguinte, as autoridades, os líderes religiosos e os mestres da lei reuniram-se em Jerusalém.
6 Estavam ali Anás, o sumo sacerdote, bem como Caifás, João, Alexandre e todos os que eram da família do sumo sacerdote.
7 Mandaram trazer Pedro e João diante deles e começaram a interrogá-los: “Com que poder ou em nome de quem vocês fizeram isso? “
8 Então Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes: “Autoridades e líderes do povo!
9 Visto que hoje somos chamados para prestar contas de um ato de bondade em favor de um aleijado, sendo interrogados acerca de como ele foi curado,
10 saibam os senhores e todo o povo de Israel que por meio do nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem os senhores crucificaram, mas a quem Deus ressuscitou dos mortos, este homem está aí curado diante dos senhores.
11 Este Jesus é ‘a pedra que vocês, construtores, rejeitaram, e que se tornou a pedra angular’.
12 Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos”.
13 Vendo a coragem de Pedro e de João, e percebendo que eram homens comuns e sem instrução, ficaram admirados e reconheceram que eles haviam estado com Jesus.
Atos 4:1-13
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A RESSURREIÇÃO DE JESUS (2):
A MUDANÇA EM PENTECOSTES
Introdução
Nesta lição sobre a ressurreição vamos pensar sobre uma mudança que ocorreu nos apóstolos no dia do Pentecostes, uma mudança de proporções tão extremas que processos naturais são totalmente inadequados para explicar a sua causa. E, então, devido à natureza deste caso, veremos ser razoável concluir que esta mudança foi produzida pelo próprio Espírito Santo. Isto, por sua vez, vai trazer crédito sobre a ressurreição de Jesus.
Lembre-se que nossa evidência vem de documentos historicamente confiáveis, o Novo Testamento, que nos apresenta fatos históricos. Ao desenvolver este argumento em prol da ressurreição, chamado de “a mudança em Pentecostes”, há cinco fatos a serem analisados.
A Promessa de Jesus Concernente ao Espírito Santo e aos Apóstolos
Fato Número Um: A Vinda do Espírito Santo como Prometido por Jesus
O fato número um é a missão do Espírito Santo que Jesus prometeu que iria efetuar nos apóstolos. Em João 14:26, Jesus disse: “mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.” Jesus está falando apenas aos apóstolos aqui. Em João 16:13, Jesus disse: “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir.”
Jesus diz que a missão do Espírito incluiria realizar três coisas sobre eles.
Em primeiro lugar: o Espírito Santo deveria pôr sobre os apóstolos a lembrança das coisas que Jesus dissera durante Seu ministério. Isto será evidentemente um ato sobrenatural. Ele iria, miraculosamente, fazer com que lembrassem de todas as coisas que Jesus dissera.
Em segundo lugar: o Espírito os ensinaria todas as coisas que eles ainda não sabiam até aquele momento.
E, em terceiro lugar: o Espírito Santo iria até mesmo declarar aos apóstolos coisas que aconteceriam no futuro. Por exemplo, o registro em II Tessalonicenses sobre a rebelião, a grande apostasia da igreja, que, de fato, veio a acontecer. Isto é obviamente um ato sobrenatural. Jesus diz que o Espírito Santo vai pôr sobre as mentes e corações dos apóstolos um conhecimento que eles não seriam capazes de receber de outro modo.
Fato Número dois: A Vinda do Espírito Era Condicional
Cristo pôs uma condição necessária sobre si mesmo, para o Espírito Santo vir aos apóstolos. Ele diz em João 16:7: “Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei.” Cristo deixa abundantemente claro que, antes da vinda do Espírito Santo, Ele teria que ascender de volta ao lugar de onde veio. Para onde Ele estava indo? Em João 16:5 Ele disse: “Mas, agora, eu vou para junto daquele que me enviou…” E no versículo 10 Ele diz: “… porque vou para o Pai,…” Jesus deixa claro que para o Espírito Santo vir aos apóstolos fazer a obra que Jesus disse que Ele iria fazer, antes, seria necessário que Jesus voltasse ao Pai.
Fato Número Três: Jesus Morreu no Calvário
Isto nos remete ao terceiro fato, a saber, que Jesus morreu. Qualquer afirmação no sentido de Jesus ter sobrevivido à cruz para ir viver em outro lugar não encontra evidência histórica que a apoie. Às vezes você pode ouvir que Jesus sobreviveu à cruz e que Ele foi ao norte da Índia e viveu ali até os seus oitenta e tantos anos de idade. Há um túmulo naquela região como “prova” disso. Eles podem ter um túmulo, mas isto não prova que Jesus esteve, ou esteja dentro dele. Os japoneses têm algo parecido. Eles dizem que no verdadeiro túmulo de Cristo está no norte do Japão, mas nós não temos evidência de natureza alguma que Jesus Cristo não morreu na cruz. De fato, precisamos notar que Mateus, João, Pedro e Tiago, todos disseram que Ele morreu. Estes homens foram testemunhas oculares. Marcos disse que Jesus morreu. Lucas, que obteve suas informações dos apóstolos, disse que Ele morreu. Em Marcos 15, o autor do segundo evangelho registra muito cuidadosamente que quando José de Arimatéia veio pegar o corpo de Jesus, Pilatos chamou o centurião do pelotão de execução e ficou sabendo dele que Jesus estava morto. O centurião estava convencido disso porque colocou sua lança no lado de Jesus e o documento histórico diz que dali saíram sangue e água. Jesus morreu. Os escritores dos evangelhos estavam convencidos de que Ele havia morrido. Pilatos estava convencido de que Ele tinha morrido. José de Arimatéia e Nicodemos, que ajudaram a prepará-lo para o sepultamento, estavam totalmente persuadidos de que Ele morrera. Não deixe alguém vir hoje em dia como hindus ou muçulmanos lhe dizer que Jesus sobreviveu à cruz e viveu Sua vida em algum outro lugar. Isto é completamente contrário a todos os fatos que possuímos. Não há evidência que negue a morte de Jesus.
É neste ponto que realmente tomamos conhecimento da força deste argumento, isto é, a mudança que ocorreu no Pentecostes. Jesus havia dito que o Espírito Santo estava para vir e, sobrenaturalmente, pôr conhecimento sobre a mente dos apóstolos. Jesus, todavia, disse que para o Espírito vir, Ele primeiramente tinha que voltar ao Pai. Mas como isto é possível se Jesus sofreu a morte na cruz e foi sepultado num túmulo? Ele morreu de fato, assim, se Jesus voltar para o Pai a fim de enviar o Espírito Santo, então é necessário que tenha ressuscitado.
O que precisamos para provar que Jesus ressuscitou? Só precisamos provar que o Espírito Santo fez aos apóstolos exatamente o que Jesus disse que faria. Ele efetuou a mudança que estava para ocorrer nos apóstolos. Se, então, esta mudança aconteceu pelo Espírito, então é conclusivo – Ele, que morreu, ressuscitou a fim de voltar ao Pai e enviar o Espírito.
Fato Número Quatro: O Conceito Judaico (dos apóstolos) do Messias e Seu Reino Antes do Pentecostes
Isto nos traz ao fato número quatro. É necessário que estudemos aqui o estado dos apóstolos antes do dia de Pentecostes. É no dia de Pentecostes, apenas cinquenta dias depois da ressurreição de Cristo, que a Sua igreja teve início com a pregação dos apóstolos. Notemos o estado dos apóstolos antes do dia de Pentecostes.
Primeiro: a condição deles teologicamente, enquanto militantes nacionalistas, dava-lhes a ideia de que o reino de Deus era algo de caráter nacionalista, confinado aos judeus. Eles nutriam o pensamento de que o reino de Deus sobre o qual Jesus falava iria ser banhado no esplendor salomônico novamente. Acreditavam que as fronteiras seriam geográficas; e as bênçãos, físicas. Eles eram teologicamente nacionalistas em sua interpretação do Velho Testamento quanto ao reino messiânico. Isto fica evidente em passagens como Marcos 10:35-38: “Então, se aproximaram dele Tiago e João, filhos de Zebedeu, dizendo-lhe: ‘Mestre, queremos que nos concedas o que te vamos pedir.’ E ele lhes perguntou: ‘Que quereis que vos faça?’ Responderam-lhe: ‘Permite-nos que, na tua glória, nos assentemos um à tua direita e outro à tua esquerda.’” Jesus então respondeu-lhes de acordo com o entendimento deles no versículo 38. Ele disse: “Não sabeis o que pedis…” Eles não entendiam a natureza do reino, não entendiam que era de natureza espiritual e estavam realmente tentando ficar numa posição de autoridade no reino de Deus. Eles não entendiam a natureza do reino teologicamente e não viam as coisas como Jesus.
Em Mateus 16:13-20, Jesus chegou às regiões de Cesaréia de Filipe, e perguntou a Seus discípulos: “…‘ Quem diz o povo ser o Filho do Homem?’” Qual era a impressão deles? Eles começaram a dizer que Ele era como um dos grandes profetas. Mas Pedro respondeu: “…‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.’” Esta afirmação estava certa. Mas, então Jesus disse algo muito estranho. No versículo 20, Jesus lhes fala para não dizerem a ninguém que Ele era o Cristo. Ele tinha acabado de perguntar: “Quem diz o povo ser o Filho do Homem?” E Pedro disse: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” E então Ele disse: “Não o digam a ninguém.”
Você pode perguntar a si mesmo por que Ele perguntou-lhes quem Ele era, para apenas se voltar e dizer: “mas não digam a ninguém”. Foi porque eles não entendiam a natureza do reino de Deus. Isto foi o motivo em João 16:12, que Jesus disse: “Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora.” Ele a seguir disse no versículo 13: “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade.” O que eles não entendiam? Eles não entendiam a natureza do reino. Em João 18:36, Jesus disse a Pilatos: “…‘O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui.’” Não era um tipo de rebelião militar, uma insurreição, nem algo parecido com isso.
Em Mateus 16:21, depois que Pedro confessou ser Jesus o Cristo, o Filho de Deus e Jesus tinha dito: “Não digam a ninguém”, imediatamente no versículo 21 Ele diz que tem que ir a Jerusalém, e lá Ele sofreria nas mãos dos escribas, dos fariseus, dos principais sacerdotes e seria morto. Imediatamente o apóstolo Pedro intervém e diz: “…‘Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá.’” Pedro era leal. Ele acreditava em seu Senhor. Ele o amava docemente. E o que ele disse foi: “Eu sou seu amigo, e eu vou provar. Eles não vão lhe pegar sem passarem por cima do meu cadáver.” Isto é lealdade. Isto é amor, e deve ser valorizado. Mas Jesus respondeu no versículo 23 dizendo: “…‘Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.’” Eu imagino que isto foi como que um golpe para Pedro. Ele tinha acabado de prometer sua vida para Cristo, e Jesus diz: “…‘Arreda, Satanás! não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.’” Pedro não entendeu. Os discípulos não entenderam. Teologicamente, estes homens simplesmente não entendiam a natureza do reino de Deus. Teologicamente, eram nacionalistas.
Segundo: qual era o estado intelectual deles? É interessante que notemos que certamente eles eram certamente vagarosos de percepção. Eles não tinham a perspicácia que Jesus esperava que tivessem. Em Mateus 16:5-12, Jesus disse: “…acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus.” Imediatamente, os discípulos começaram a discutir entre si sobre pão comum. Jesus disse no versículo 9-11:
“Não compreendeis ainda, nem vos lembrais dos cinco pães para cinco mil homens e de quantos cestos tomastes? Nem dos sete pães para os quatro mil e quantos cestos tomastes? Como não compreendeis que não vos falei a respeito de pães? E sim: acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus.”
Jesus estava falando sobre estarem precavidos contra o fermento dos fariseus. Mateus então registra que eles finalmente conseguiram compreender que Jesus lhes estava falando sobre a doutrina e ensino dos fariseus que iria atuar como fermento entre o povo (Mateus 16:12). Eles eram simplesmente lentos de percepção neste momento.
Terceiro: vejamos o estado deles posicionalmente. Antes do dia de Pentecostes, os apóstolos se encontravam num estado de tensão. Lembre-se que eles estavam pedindo para se assentarem à direita e esquerda de Jesus. Marcos registra em Marcos 10:35-45, que quando o restante dos discípulos ficaram sabendo disso, ficaram indignados com estes que pediram assentos privilegiados, mostrando que havia tensão, até mesmo divisão entre eles. Em Lucas 22:24, à sombra da cruz de Jesus Cristo, estes homens estavam de verdade competindo uns com os outros sobre quem é o maior no reino de Deus. Aqui, eles estão manobrando para se colocar em posição como num jóquei; à direita, à esquerda, quem é o maior? Aqui estão homens divididos entre si antes do dia de Pentecostes.
Quarto: vejamos o seu estado emocionalmente ou psicológico. Em Marcos 14:27 diz: “Todos vós vos escandalizareis, porque está escrito: ‘Ferirei o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas.’ Mas depois da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galiléia.” Qual é a condição desses homens antes do Pentecostes? Eles estão amedrontados. Eles estão morrendo de medo. Embora compreensível, o fato deixado bastante claro em João 20:19, é que, depois da crucificação, estes homens estavam se escondendo por detrás de portas trancadas por medo dos judeus.
Conclusão
Eis aqui a condição dos apóstolos antes do dia de Pentecostes. Teologicamente eram militantes nacionalistas interpretando a profecia do Velho Testamento como zelotes interpretariam. Eles estavam prontos para pegarem suas lanças, arcos e flechas e seguirem este Nazareno para lançarem de seu pescoço o jugo romano. Intelectualmente eles eram bastante lentos, não perspicazes. Posicionalmente eles estavam divididos, e psicologicamente estes homens estavam simplesmente amedrontados. Esta era a sua condição real. O que, então, causou tal mudança neles?
Note cuidadosamente o fato número cinco. Os apóstolos mudaram no dia de Pentecostes, e esta mudança foi drástica. Perceba quão extrema esta mudança chegou a ser. Em Atos 2, estes homens imediatamente começaram a pregar Cristo crucificado, sepultado e ressuscitado. Estes homens começaram a pregar um evangelho redentor. Eles estavam pregando a remissão de pecados. Eles estavam pregando que a igreja de Cristo é a resposta para as profecias do Velho Testamento falando sobre a vinda do reino de Deus. Estes homens têm sua teologia drasticamente mudada de um nacionalismo judaico a um conceito mundial que abrangeria os gentios igualmente com os judeus no herdarem o reino de Deus.
O que produziu esta mudança em sua teologia?
Intelectualmente eles eram lentos em percepção, mas agora eles são tão vivos e perceptivos quanto podem ser. Eles são instruídos sobre tudo que eles falam ao povo. Eles são instruídos sobre Jesus, sobre a profecia do Velho Testamento e sobre a igreja. Você faz uma pergunta a eles; e eles lhe dão uma resposta na ponta da língua. Todos eles estão de acordo uns com os outros.
De onde este conhecimento maravilhoso veio?
Há uma demonstração de conhecimento tão notável quanto tudo que podemos encontrar no livro de história. Em Atos 2, quando o Espírito veio sobre os apóstolos no Pentecostes, eles começaram a falar pelo guiar do Espírito exatamente como Jesus disse que eles fariam. Atos 2:5, “Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu.” O texto diz que quando eles ouviram o som que acompanhou a vinda do Espírito, as pessoas ficaram confusas, como o versículo 6 afirma: “Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua.” O versículo 7 diz que eles estavam todos atônitos e maravilhados dizendo: “… ‘Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando? E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?” Eles ficaram perplexos que estes galileus pudessem falar-lhes em seus próprios dialetos, em sua própria língua materna. Estas pessoas no dia de Pentecostes estão pasmas com o que estes homens estão fazendo. Eles são galileus, e eles não mostram nenhum sinal de qualquer dificuldade de comunicação absolutamente. O povo diz no versículo 11: “… os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus!”
De onde veio esta capacidade de falar em línguas?
De onde eles obtiveram o conhecimento se não foi feito exatamente como Jesus dissera que seria feito, pelo Espírito Santo pondo o conhecimento sobre a mente desses homens?
O fato é que eles tinham esta habilidade. Você acha que Lucas inventou a história, e a seguir, foi capaz de passar isto para uma igreja que soubesse que estas coisas não aconteceram e, mesmo assim, a igreja guardou o livro sob intensa perseguição? Você não pode esperar isso da natureza humana.
A igreja do primeiro século guardou estes documentos porque sabia que representavam a verdade. De onde, então, este conhecimento e capacidade de falar em línguas vieram se não do Espírito Santo? Em um momento eles estavam posicionalmente e intencionalmente divididos, mas agora eles estão completamente unidos. Eles não estão apenas unidos em irmandade, mas eles estão unidos em doutrina.
Quem foi que, entre o momento da morte de Jesus e o dia de Pentecostes, pegou o conjunto de ensinos do Velho Testamento com o sistema sacrificial e colocou uma salvação redentora eclesiástica nesse conjunto? Isto era contrário a tudo o que eles haviam tipicamente acreditado outrora em seu nacionalismo. Quem foi que converteu cada um desses apóstolos à idéia de que esta era a única interpretação correta? Como todos eles tiveram a capacidade de comunicar esta doutrina como se eles tivessem crescido nela? Isto é fantástico! De fato, a única resposta à qual eu posso chegar é que tal unidade de entendimento, tal unidade de doutrina, poderia ter sido produzida apenas por um feito sobrenatural. Mas isso não é exatamente o que Jesus disse que iria ocorrer?
Finalmente, nós vemos que psicológica e emocionalmente, estes homens estavam com medo. Mas no Pentecostes nós vemos que estes homens estão destemidos. Um dos termos favoritos de Lucas no livro de Atos é que a intrepidez destes homens foi notada por todos que os viram e ouviram. Em Atos 4:13, quando Pedro e João falaram, o povo que ouvia ficou admirado com a intrepidez desses apóstolos. Eles reconheceram o fato de que aqueles homem tinham estado com Jesus. Estes homens estavam destemidos, a ponto de sofrerem a morte. Isto é um fato histórico.
Veja a mudança que ocorreu com estes homens no Pentecostes. Veja a mudança do seu estado anterior em relação ao estado em que se encontravam no dia de Pentecostes. Aproximadamente sete semanas separam a morte de Cristo do dia de Pentecostes. O que causou esta mudança dinâmica a se verificar? A Bíblia afirma que foi o Espírito Santo. Não foi isso o que Jesus disse que o Espírito faria? Sim, foi. Isto é exatamente o que Lucas afirma que aconteceu. Ele diz, em Atos 2, que no dia de Pentecostes todos os apóstolos estavam juntos. A seguir, ele afirma que o Espírito veio e eles começaram a falar como o Espírito lhes concedia que falassem.
Lucas afirma que foi o Espírito que causou esta mudança. Paulo em I Coríntios 2, e em Efésios 3 faz a mesma afirmação. I Pedro 1 e II Pedro 1 trazem a mesma afirmação. João 2 faz a mesma afirmação. Lucas e os apóstolos estão em completo acordo que o Espírito Santo produziu a mudança no Pentecostes. Se, contudo, aquela mudança foi produzida pelo Espírito Santo, então Jesus tinha que ter ressuscitado! Jesus disse que a fim do Espírito vir, Ele teria que subir de volta ao Pai. De outro modo, o Espírito não viria. Mas Jesus foi crucificado e morto, como, então, Ele seria capaz de voltar ao Pai e enviar o Espírito a menos que houvesse ressuscitado? A mudança em Pentecostes é por causa da ressurreição de Cristo, Sua ascensão de volta aos céus, e o Seu envio do Espírito Santo. Se nós não aceitamos isto, então o que vamos ter que aceitar é o fato da mudança, porque ninguém nega que ela aconteceu.
Natural ou Sobrenatural?
Quais são os processos naturais absolutamente essenciais para tal mudança ocorrer em tais homens num intervalo de tempo tão curto? Como professor há vinte e sete anos, eu conheço as duas coisas necessárias: tempo e educação. É absolutamente essencial que o processo educacional aconteça. Tal mudança pode ocorrer naturalmente, mas ela não pode ocorrer num período de tempo tão curto como a que aconteceu no Pentecostes. É impossível. Nós não temos razão para acreditar que os apóstolos mudaram em qualquer coisa absolutamente, até o dia exato do Pentecostes. O que nós somos informados é que a mudança ocorreu imediatamente. Cinquenta dias não é tempo o bastante para produzir aquele tipo de mudança em mim ou em você. Ela simplesmente não vai acontecer.
Quem teria sido o educador daqueles homens? Quem os uniu?
Quem os teria unido doutrinariamente?
Quem os teria convencido senão Jesus?
Mas Jesus estava morto. Assim, se não foi Cristo, e se não foi o Espírito, então quem os educou? Isto não pode ser respondido, pois ninguém mais tinha este conceito do reino, exceto Jesus e o Espírito Santo de Deus. A única conclusão à qual podemos chegar é que aquele processo natural simplesmente não é a resposta, pois não é adequado para responder os fatos no caso da mudança dinâmica, radical e extrema que aconteceu com os apóstolos no dia de Pentecostes. Desde que processos naturais de tempo e educação não podem explicar a mudança, eu devo concluir que a mudança foi produzida por um processo sobrenatural. O Espírito veio de fato, e Ele foi quem efetuou a mudança. Jesus disse que Ele iria efetuar a mudança, e Lucas disse que Ele efetuou. Os apóstolos insistiram que foi isso o que aconteceu. Eu estou completamente persuadido disso. Mas, se o Espírito veio, então Jesus, que foi crucificado, tinha que ter ressuscitado e voltar ao Pai, a fim de enviar o Espírito.
Se não é o que aconteceu, então como é que a mudança aconteceu?
O que diz a razão?
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